5 de abril de 2020

A MINHA VIZINHA É PIOR QUE A VOSSA

Vizinha - Isto é obra de Deus. A pessoas deixaram de acreditar em Deus, deixaram de rezar, então agora Deus está a castigar-nos. Deus estava sobrecarregado com o nosso pecado e agora está a descarregar.

30 de março de 2020

O MEU AVÔ É PIOR QUE O VOSSO #3

Os meus avisos são sempre os mesmo: Vô, não saias de casa, cuidado com quem falas, cuidado onde tocas, lava as mãos...

Avô [resposta do dia] - Eu não quero saber disso. Andaram a cortar árvores que foi uma coisa por demais. Agora olhas e não vês árvores em lado nenhum, por isso, agora não se queixem que o ar está carregado!

25 de março de 2020

O MEU AVÔ É PIOR DO QUE O VOSSO #2

Eu - Vô, tu não podes levar isto na brincadeira! Há muitas pessoas a morrer em todo mundo, isto é muito sério!

Avô - Também houve muita gente que morreu de lepra e agora ninguém fala nisso. 

19 de março de 2020

QUARENTENA

Estou indecisa entre emagrecer ou abrir outro pacote de bolachas.

O MEU AVÔ É PIOR DO QUE O VOSSO #1

Eu - Vô, tens queter cuidado. Isto agora é sério.

Avô - Então agora é sério e antes não era?

12 de fevereiro de 2020

ORGANIZAR A CABEÇA E A VIDA

Sabem o que é que me mete muito muito medo?

Começar algo novo.

Enfrentar situações novas.

O desconhecido.

A perspetiva de insucesso.

Eu comecei 2019 a desabafar com as amigas que iria dar a volta a esse meu problema, mas a realidade é que não me esforcei muito por isso. É mais fácil fugir, sabem? Mesmo com todas as consequências que isso acarreta, é sempre mais fácil fugir.

E desta vez comecei 2020 sem resoluções. Claro que tenho objetivos, mas na realidade são os mesmos do ano passado.

Mas estamos a meio de fevereiro - se janeiro demorou a passar, fevereiro está a ir way too fast, não acham? - e agora que os blues já passaram, é uma boa altura para redefinir prioridades, objetivos e estratégias.

Não sei se já disse isto aqui este ano, mas 2020 vai ser "o" anos, I can feel it - mas voltamos a rever esta conversa daqui a uns meses, ok?

11 de fevereiro de 2020

AUTO REFLEXÃO

Sabem, eu não sou muito problemática, mas sou demasiado privilegiada. Acho que nasci num berço de ouro, dentro da minha escala social.

Os meus pais merecem melhor. De mim, em tudo.

4 de fevereiro de 2020

DETESTO O SILÊNCIO

O silêncio faz-me pensar.

Muito.

Em tudo.

O silêncio não me traz conclusões, traz-me mais questões, desmotivação, dúvidas - sobre mim, sobretudo.

Ao contrário de muitas pessoas, para mim o silêncio não é sinónimo de paz, não me tranquiliza. O silêncio é barulhento. Cada vez mais.

E estou numa fase em que, sim, temo o silêncio.

7 de novembro de 2019

POST DE DESABAFO QUE PROVAVELMENTE IRÁ SER ELIMINADO QUANDO ME SOSSEGAR

Fiz asneira. 

E a culpa é minha.

Mesmo minha. 200%.

Do tipo: se eu estivesse a ser julgada, não haveria nada que os meus advogados pudessem fazer para me ilibar.

Do tipo: se isto fosse a Coreia do Sul e eu tivesse que agir como nas séries, a única coisa que me resta fazer é ajoelhar-me no chão, esfregar uma mão na outra e implorar por perdão.

Do tipo: Lady, amanhã vais trabalhar para as obras. 

Sim, estamos a falar deste nível de asneira. 

Se eu estou a dramatizar, como de costume? Esperemos que sim. Esperemos mesmo.

13 de outubro de 2019

EU NÃO IA PUBLICAR ISTO. E DEPOIS IA. E DEPOIS NÃO IA. E DEPOIS PENSEI "QUE SE F***!"

Toda a gente já viu isto pelo menos num filme ou num episódio de uma série americana qualquer: uma personagem que se queixa do almoço/jantar de família no dia de Ação de Graças porque há uma tia-avó que lhe vai perguntar quando é que se vai casar. Estão familiarizados com isso?

A minha própria versão é: quando é que acabas a tese; quando é que arranjas trabalho.

A questão da tese nunca me incomodou, até ontem - exceto quando é o meu pai a perguntar. Ultimamente a questão mais frequente tem sido quando é que arranjo trabalho. Como se eu própria não me fizesse essa pergunta um milhão de vezes ao dia. Como se à minha volta já não houvesse uma placa néon com "falhada" escrito e a apontar para mim. E como se arranjar trabalho dependesse apenas de mim.

Porém nunca me incomodou que me perguntassem isso do trabalho, era só uma alfinetada. Eu respondia que ainda estava a escrever a tese - como se esse fosse um impedimento - e as pessoas aceitavam bem essa resposta.

E o que é que mudou agora? A minha prima, um ano mais nova do que eu, terminou o mestrado, entregou a tese e defendeu-a. É engenheira desde há uns meses. O meu tio, pai dessa minha prima, achou que agora teria mais bagagem para pegar com os encalhados da família - já esgotou o stock de piadas com os meus primos e eu sou carne fresca.

"Então, Lady, quando é que terminas a tese? O teu pai está com cara de quem quer festejar. Estás à espera que a tua irmã termine para depois entregares tu? É para o teu pai não ter que fazer duas festas? Mas, e essa tese, quando é que a entregas? Vais ficar toda a vida nisso?"

Estas perguntas não me aborreceria (tanto) se eu não tivesse visto o ar de incómodo do meu pai. Ele, mais que eu, é refém da pressão social. É o pai da miúda que reprovou a clarinete, da miúda que não teve notas para ir para Direito, da miúda que não passa de terceiro, da miúda que trabalha numa retrosaria, da miúda que não acaba a tese.

Um dia eu vou terminar a tese. Porque também repeti clarinete, e fiz História sem nunca me queixar, e gosto de estar na banda, acima de tudo, e o trabalho na retrosaria não me incomoda porque eu sei que sou boa naquele trabalho

E eu não ia publicar isto, ia ser mais um daqueles posts para me libertar, cheio de ressentimento e mágoa, que escrevo e acabam por ficar eternamente guardados em rascunho. Mas... e quê?